quarta-feira, 30 de junho de 2010

SENSÍVEL


"Ficar sensível. Só. É só isso que eu peço. Peço que fiques sensível, que sejas sensível, para que tudo o que é do céu flua pelo teu corpo, pelo teu ser da forma mais verdadeira.

Peço que fiques sensível, que aceites que és sensível, pois esse é o verdadeiro caminho por onde as pessoas têm de passar para encontrar o seu próprio e verdadeiro caminho.

É claro que é o caminho mais longo. E é claro que é o caminho mais puro. Aquele que ninguém pensou, que ninguém subtraiu, que ninguém racionalizou.

O caminho da sensibilidade extrema é o caminho dos anjos que descem à terra para fazer avançar as populações. E tu podes ser esse anjo. Simplesmente não te lembras."
in Mensagens de Luz, A.S.

sexta-feira, 25 de junho de 2010



Twinkle, twinkle, little star
How I wonder what you are.
Up above the world so high
Like a diamond in the sky
Twinkle, twinkle, little star
How I wonder what you are!









When the blazing sun is gone,
When he nothing shines upon,
Then you show your little light,
Twinkle, twinkle, all the night.
Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are!

Then the traveler in the dark
Thanks you for your tiny spark;
He could not see which way to go,
If you did not twinkle so.
Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are!


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Rende-te à Luz

"Diz-lhe o quanto a amas, o quanto te identificas com ela, o quanto sabes que ela é especial. Estrela que ilumina a tua vida, barco que te leva a navegar para além do horizonte, que te leva para dimensões ancestrais para poderes resgatar pedaços de alma que estavam perdidos para sempre.

Faz a tua reverência, compreende o quanto a luz é magnânima e forte, o quanto é absoluta, o quanto é, em jeito de graça, a dona da tua energia. E segue-a. Segue-a até ao fim do mundo, se for preciso, para resgatar o que de mais puro há em ti, o que de mais original possas encontrar, para dar cor à tua vida. Para dar sabor à tua existência. Para lhe dar significado.

Rende-te à luz. Rende-te e percebe que não há outra forma de viver em comunhão. Não há outra forma de viver em evolução, senão esta. Faz a tua reverência. Faz o teu compromisso. E percebe que, a partir de agora, nunca mais poderás enganar-te, mentir-te, iludir-te. Nem que seja para fugir da dor. Nunca mais!"
in Mensagens de Luz, A.S.

Amizade

"Nós temos uma amizade genuína
quando ela é baseada num sentimento humano verdadeiro,
um sentimento de proximidade em que há
sentido de partilha e de conexão.
Eu chamaria esse tipo de amizade
genuína porque ela não é afectada
pela diminuição crescente da
riqueza individual, status ou poder.
O factor que sustenta essa amizade é
se as duas pessoas terão ou não
sentimentos mútuos de amor e carinho.
A amizade humana genuína
está na base do afecto humano,
independentemente da sua posição.
Portanto, quanto mais mostrares preocupação
sobre o bem-estar e direitos dos outros
mais serás um verdadeiro amigo.
Quanto mais permaneceres aberto e sincero,
mais benefícios terás por fim.
Se te esqueceres ou não te incomodares
com os outros, então, eventualmente,
irás perder o teu próprio benefício."
H.H. the XIVth Dalai Lama

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aprende a ser

"Quando retiramos da nossa vida o trabalho, a família, os amigos, os bens materiais, o que eu queria ser e não fui, e o que eu ainda quero ser e luto por isso… Quando retiramos todos estes focos da nossa vida, o que é que fica?

Se hoje deixasses de te preocupar em cuidar dos outros, sejam eles parentes, amigos ou superiores hierárquicos, para onde iria a tua consciência? Para onde iria a tua convicção? Se hoje não tivesses absolutamente nada que te preocupasse, nem dinheiro, nem metas ou objectivos, o que restaria?

Restaria a tua luz interior. Restaria a tua essência, a tua vibração profunda. Essa vibração do teu Eu seria mais forte ou mais fraca consoante as vezes em que te tivesses despojado de tudo e das vezes em que já tivesses lá ido. A força dessa vibração iria depender do número de coisas com as quais te dispersas e da quantidade de coisas que – às vezes sem importância nenhuma – arranjas para fazer.

Essa vibração está à tua espera para salvar a tua vida e levar-te ao teu propósito. Essa vibração tem de ser acarinhada, alimentada e instruída para que brilhe de forma sistemática e inequívoca, de modo a dar consistência a esta encarnação. Tudo o que possas fazer, que não seja dar luz à tua luz, não procede e não resulta.

Primeiro que tudo, primeiro que os outros, primeiro que tudo o que tens a fazer, primeiro até que a tua sobrevivência, está a tua luz. Estás tu. Depois tudo virá, de uma maneira abrangente e apaixonante, sob o signo da abundância. Aprende a fazer brilhar a tua luz. Aprende isso, e serás iniciado."
in Mensagens de Luz A.S.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Expõe-te

"Expõe-te. Expõe-te. Expõe-te.
Mostra ao que vens, põe o coração em cima da mesa, e fá-lo de alma aberta. Quem não entender, não entendeu. Mas não é por isso que vais deixar de ser quem és e de mostrar isso ao mundo.

O mundo só existe para que tu te exponhas sem teres medo de ser rejeitado. Sem teres medo de ser ridicularizado. Quantas coisas deixas de fazer com medo de te expores? Quantas experiências não viveste com medo de errar? O medo de errar faz com que a pessoa não se exponha. E quanto menos ela se expõe, mais se vai afundando num poço de conformismo e mesmice.

Vai chegar um dia em que, de tanto se esconder, dos outros e de si própria, acorda e já nem sabe quem é. Não sabe quem foi. E não tem ideia do que virá a ser. A vida é feita de experiências. Sempre que rejeitares alguma com medo de te expores, com medo de errares e seres julgado por isso, a cada vez que te demitires de ti próprio em nome da não exposição e, consequentemente, da tentativa de não ser julgado, estarás a retirar experiências à tua alma, e ao retirares experiências também retiras aprendizado e sabedoria.

Lembra-te sempre. O que está em causa não é o erro. A questão não é parares de errar. O mundo é dual e imperfeito, tu és dual e imperfeito e, por conseguinte, o mais provável é que continues a errar. Expondo-te ou não. O que está em causa é como reages ao erro, o que aprendes com ele e o quanto evoluis à conta de o teres cometido. É outra lógica, eu sei, mas é assim."
in Mensagens de Luz, A.S.

Tudo é Amor

"Tudo é Amor.
Com o Amor vem a compreensão.
Com a compreensão vem a paciência.
A realidade é o presente.
O conflito no passado ou no futuro causa dor e doença.
A paciência pode parar o tempo.
O amor dissipa o medo. Não podes sentir medo quando estás a sentir amor. Uma vez que tudo é energia e o amor contém todas as energias, tudo é amor.
Quando dás amor, sem medo, podes perdoar. Podes perdoar os outros e podes perdoar a ti mesmo.

Começas a sentir a perspectiva correcta.

Culpa e raiva são reflexos do mesmo medo. A culpa é uma raiva subtil dirigida para o centro do teu Ser. O perdão dissipa a culpa e a raiva. São emoções desnecessárias que provocam sofrimento.
O amor dissipa o medo. Não podes sentir medo quando estás a sentir amor. Uma vez que tudo é energia e o amor contém todas as energias, tudo é amor.
O orgulho pode ser um obstáculo no caminho do perdão. O resto - medo, culpa, raiva, orgulho. são inúteis. São manifestações do ego. O ego é um "eu" falso e transitório. Tu não és o teu corpo. Tu não és o teu cérebro. Tu não és o teu ego. Tu és maior que todos eles. Necessitas do teu corpo, do teu cérebro para sobreviver no mundo físico, mas apenas como meio de transporte, como processador de informação. O ego separa-te da sabedoria, alegria, determinação, confiança, do Divino em ti. Transcende o teu ego e encontra o teu verdadeiro "eu". O verdadeiro "eu" é a parte permanente, a mais profunda de ti mesmo; é sensato, pleno de amor, confiante, leve, livre, alegre, feliz."
in Mensagens de Luz, A.S.

A Partilha dos Sentimentos

"É difícil para a maioria das pessoas utilizar o sentimento individualmente. A maior parte das pessoas quer "dividir" o sentimento, quer "compartilhar", "explicar" o que sente...

E se eu te disser que o sentimento é para ser vivido sozinho? Que a solidão amplia e aprofunda o aprendizado do "eu" através do sentimento? Tudo o que tu "compartilhas", "divides" e "explicas" esvai-se, dissolve-se, compromete-se, pois a reacção do parceiro está sempre presente na história.

Todos falam em "felicidade a dois". Porque é que ninguém fala em "felicidade a um"? Porque ninguém pensa que deve ser feliz sozinho, ou triste sozinho, ou incomodado, ou carente sozinho?

Só a vivência pura, profunda e singular de uma emoção pode trazer ao de cima as mais sublimes revelações do "eu". Só ficando sozinho, sentindo sozinho, não tendo que compartilhar a emoção com ninguém, é que ela se exprime em toda a sua envolvência e maturidade, fazendo-nos crescer e sermos individuais."
in Mensagens de Luz, A.S.

Os OpOstOs

"A matéria é feita de opostos. Saúde/doença, riqueza/pobreza, bem/mal. Esses opostos deverão estar equilibrados, o homem vem à terra vicenciar os dois. Nem só um, nem só outro.

Cada vez que o ego do ser Humano escolhe um dos lados dos opostos, logo toda a força do universo se junta para lhe enviar o outro lado. Numa vida vivenciaste algo. Nesta vida irás viver o quê? O oposto. Para que a tua alma tenha as duas vivências. Quando, nesta vida, vives uma experiência, estás a fazer o quê? A receber o oposto de algo que a tua alma noutras vidas já viveu. Está agora a ser-te dado o oposto do que já viveste, para que sejam experienciados os dois opostos.

Quando, numa determinada altura, não aceitas uma experiência que o universo te propõe, cada vez irás atrair mais experiências semelhantes, cada vez mais fortes até que aceites, vivencies e estejas preparada para dar o assunto por encerrado."
in Mensagens de Luz, A.S.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Era uma vez um rio

"Era uma vez um rio - diz uma velha tradição oriental - que corria mansamente no seu cómodo leito de barro. As suas águas eram turvas e nelas viviam peixes da cor do chumbo que buscavam o seu alimento no lodo.
Como era muito pouco profundo, nenhum ser humano ainda se tinha lembrado de fazer uma ponte sobre ele, conformando-se apenas em colocar algumas pedras no seu leito que improvisavam caminhos humidificados pelas lentas águas. Os animais dos bosques vagueavam pelos lugares menos profundos, revolvendo as entranhas do rio com as suas patas. Para beber iam ao lago mais próximo, porque as águas do rio eram escuras e cheiravam mal.
Mas o deus Indra, que tudo vê, apiedou-se do Génio do rio, pois sem ser tolo, comportava-se como tal, entorpecido pela inércia e comodidade, já acostumado a que pisassem o seu corpo, que era húmido e hediondo como uma víbora morta. Com o passar do tempo, o rio conformou-se com os caminhos mais suaves e evitava os declives violentos. Era mudo, feio e as belas Ondinas e Fadas dos ribeiros não se aproximavam dele, nem sequer para fabricarem os seus espelhos mágicos nas noites de Lua Cheia.
Um dos Servidores de Indra secou a terra à frente dele e levantou-a de forma que o obrigou a desviar-se. Ao pricípio assustou-se - o velho rio começou a gemer - mas logo descobriu o prazer de saltar sobre as pedras e, com um rugido, abateu árvores e abriu caminho, saltando abismos e arremetendo contra enormes penhascos.
A sua água fez-se límpida ao filtrar-se através das areias e pedregulhos; o seu fundo voltou a ser de pedra e, às vezes, de metal, cujos veios brilhavam no seu leito como os ígneos látegos de Indra quando conduz os Maruts.
Do seu seio, outrora escuro e lôbrego, nasceu a espuma branca, pois esta não aparece se não houver luta, se não houver purificação.
Nele habitaram peixes coloridos que sobem o rio e as claras lagoas, que iam deixando nos seus flancos, recortadas em formidáveis rochas, foram o assombro dos Elementais das águas!
Com o titilante reflexo das estrelas, as Ninfas fizeram os seus pentes mágicos e extraíram dos profundos remansos os espelhos encantados.
Os humanos já não o pisaram, mas elevaram arcos de triunfo sobre ele, a que chamaram pontes. Os animais cruzavam-se nadando, e logo comentavam, limpos e brilhantes, a força do rio. Por fim, quando chegava a sua Mãe Ganga, era recebido com ovações pelas outras águas que a ele se abraçavam gritando de alegria.
E, vendo tudo isto e outras coisas mais que não vos conto, Indra pensou em muitos seres humanos que não aproveitam as suas oportunidades e continuam a ser rios lentos e barrentos, carentes de valor e glória. Então, duas lágrimas correm pelo seu rosto candente, e assim aparecem as nuvens, e tudo na natureza se torna cinzento, lamentando a estupidez humana."

Viver no passado...

"Quando uma pessoa vive no passado, toda a sua energia vibra com uma frequência do passado.
Se sentiste ódio no passado, se sentiste revolta, se sentiste culpa, qualquer um dos instintos básicos do passado, essas emoções serão canalizadas para o presente. Vão invadir a tua vida, pois o portal do tempo é aberto e as dimensões temporais intercruzam-se. Interagem. Intervivem.
Serás assaltado por emoções adversas no presente, por insistires em viver com a consciência, com o foco no passado.
As emoções antigas passam a dominar o presente, a tua vida e a tua energia. Passa a "viver de memórias", e ficas uma pessoa triste, sem energia, pois a energia só se atrai quando se resolvem as coisas.
No presente, até podes revisitar memórias antigas, mas com a consciência de hoje. Vais ao passado, mas levas do presente uma consciência ampla, limpa e esclarecida. Naturalmente que as emoções bloqueadas secularmente, à força de receberem a consciência do presente, se desfazem em mil cacos de luz."
in Mensagens de Luz, A.S.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Religião nas Escolas

Gostava imenso de ter aprendido na escola sobre as religiões do mundo. Recordo-me nitidamente de não querer aulas de "Educação Moral e Religiosa" pelo trauma de ter tido catequese!
A maior parte da nossa população afirma-se católica não praticante. A vertente "católica" ainda se mantém porque em crianças grande parte de nós fomos obrigados a frequentar a catequese e a comparecer nas missas aos Domingos. De futuro, será mais comum, sem dúvida, o agnosticismo.
O conteúdo do conjunto "Religião e Moral" deveria ser revisto para uma vertente mais generalizada da religião, mais espiritual - seria algo como "História da Religião"- esta deixaria de ser facultativa.

A palavra "religião" foi usada durante séculos no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do cristianismo que se apropriou do termo latino religio. Em outras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra rita que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correcta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por dharma, termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a ideia de uma lei divina e eterna. Rita relaciona-se também com a primeira manifestação humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos períodos Paleolítico e Neolítico, e que se expressava por um vínculo com a Terra e com a Natureza, os ciclos e a fertilidade. Nesse sentido, a adoração à Deusa mãe, à Mãe Terra ou Mãe Cósmica estabeleceu-se como a primeira religião humana. Em torno desse sentimento formaram-se sociedades matriarcais centradas na figura feminina e suas manifestações. Ainda entre os hindus destaca-se a deusa Kali como símbolo desta Mãe cósmica. Cada uma das civilizações antigas representaria a Deusa, com denominações variadas: Têmis (Gregos), Nu Kua (China), Tiamat (Babilônia) e Abismo ,(Bíblia).
A mudança de uma ideia original da Deusa mãe, identificada com a Natureza, para um conceito de Deus deve-se aos hebreus e à organização patriarcal desta sociedade. Independente da origem, o termo é adoptado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Os religiosos gregos e romanos criam na existência de vários deuses; os judeus, maometanos e cristãos acreditam que há apenas uma divindade, um ser impassível de ser sentido pelos sensores humanos e que é capaz de provocar acontecimentos improváveis/impossíveis que podem favorecer ou prejudicar os homens.
Dentro do que se define como religião pode-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são muito diferentes entre si. Porém, é possível estabelecer uma característica em comum entre todas elas: todas as religiões possuiem um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades, deuses e demónios. As religiões costumam também possuir uma versão própria sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte, facto em que a maior parte das religiões crê.

Deste ponto, partiria-se para um estudo mais aprofundado de cada religião, da sua origem e das suas crenças, sem exclusões! A discriminação entre as crianças surge da sua ignorância. Um aluno de origem indiana, por exemplo, sentiria-se orgulhoso das suas diferenças cultural e religiosa (hinduísmo, jainismo, budismo ou sikhismo) ao poder partilhá-las com os seus colegas numa aula deste género. Esses mesmos colegas iriam assimilar, entender e respeitar essa filosofia de vida, com crenças e tradições distintas. Quanto à moral, essa está intrinsecamente ligada à filosofia de cada religião. Tornariam-se adultos mais conscientes e tolerantes a essas diferenças. Poderiam incluir-se também actividades práticas, como a meditação ou ioga, que trariam benefícios ao nível da concentração das crianças. Seriam aulas muito mais interessantes, de um conteúdo mais rico, que trariam maior proveito na cultura das nossas crianças.

sábado, 17 de abril de 2010

Pai Ausente

As consequências de um pai ausente compromentem a vida da criança quando adulta, e refiro-me, em particular, ao caso em que a criança é uma menina. Gera-se um trauma.
Por pai ausente entenda-se que não se trata apenas da ausência física, mas da ausência de afecto, de carinho, de um pai que não corre para socorrer quando a filha se magoa, que não dá colo, que não dá um beijo de bom dia, nem um abraço de boa noite, que não valoriza as suas conquistas, nem dá uma palavra de consolo perante uma desilusão...
Os traumas adquiridos na infância são mais difíceis de serem solucionados, por permanecerem no plano subconsciente ou inconsciente. Na fase adulta, essa menina adaptará a sua conduta ou comportamento, acomodando-se com os traumas. Estes vão-se manifestar através da ansiedade, insegurança, stress, depressão, compulsividade, baixa auto-estima, fobias ou até mesmo à falta de vontade de viver, uma vez que se sentiu abandonada.
Em adulta, aquela menina que não foi acarinhada pelo pai, vai procurar substituir essa lacuna pela figura de outro homem. Torna-se totalmente dependente da presença e do amor de uma figura masculina - namorado ou marido - que, inconscientemente, está a substituir pelo vazio deixado pelo pai. Ela vai exigir desse homem todo o carinho que não teve do pai. Tornou-se uma mulher insegura - a eterna menina. Nunca estará satisfeita, porque homem nenhum vai conseguir preencher esse vazio.
Qualquer homem na sua vida lhe trará sofrimento. A vida afetiva fica comprometida porque a menina-mulher guarda um monte de entulhos (mágoas, feridas e decepções) oriundos do seu passado, pela figura do pai. Tudo está guardado, lá no subconsciente...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

2005

Em Janeiro terminei um namoro, em Fevereiro voltei a apaixonar-me, em Março envolvi-me com essa paixão, em Abril era "a outra", em Maio deixei de o ser, em Junho já estava a viver com ele, em Julho começaram as dúvidas, em Agosto viajámos, em Setembro fui deixada... em Outubro voltámos a falar-nos, em Novembro continuava a viver sozinha, em Dezembro assim permaneci - este é o resumo da minha vida no ano de 2005! Passei o Natal e a passagem de ano com a minha cadela, que fui buscar a casa dos meus pais. Ele? Viajou. Mas não comigo... E esta relação continuou instável durante mais meio ano: ora sozinha, ora acompanhada... por uns minutos ou umas horas, depois por um dia ou dois!
"Devorava" livros para passar o tempo, chorava, gritava, não entendia porque isso me estava a acontecer. O que quer que fosse que tinha que aceitar, não aceitei! Quando fui abandonada, tomei uma embalagem de calmantes. No hospital tentaram fazer lavagem ao estômago mas já tinha absorvido tudo! Diagnóstico: tentativa de suicídio!
Não foi! Sabia que aquilo não me iria matar! Também não queria chamar a atenção de ninguém! Simplesmente não queria viver nos dias que se seguiram... queria dormir e acordar quando aquele sentimento de frustração, vazio, angústia, desilusão... quando tudo tivesse passado! E assim foi.
Andei uns dias sem saber o que fazia. Esses dias ficaram em branco na minha memória - tal como pretendia... Mas tudo o que antecedeu esse momento ficou:
Passados três meses de ele ter abandonado a rapariga com quem vivia há 4 anos e namorava há 10 para ficar comigo, tomou a decisão que me ia deixar para ir viver para casa dos pais, porque precisava de estar sozinho para reaver o que era dele - era o que ele dizia - depois de muitas mensagens, de eventos em que compareciam como se ainda fossem um casal, de desculpas que ela arranjava para se reaproximar, etc. Eu continuava incógnita! Ninguém no mundo dele sabia da minha existência. O meu ego não consentiu isso!
Um dia, ao final da tarde, eu saí, como era habitual, para ir ao curso pós-laboral que frequentava na altura, só que segui mais 50Km, em direcção à casa da "dita-cuja", com o intuito de lhe contar da minha existência. Mas ela não estava em casa. Tentei ligar - ninguém atendeu. Deixei mensagem de voz - apresentei-me como sendo a causa da separação dela e que era comigo que ele estava desde que a tinha deixado. Voltei para casa. Agi como se nada tivesse feito. Sabia que no dia seguinte tudo se iria alterar. A bomba tinha sido deixada - ela iria encarregar-se de fazê-la explodir!
Nessa noite, ela tentou falar com ele. Ele não atendeu, mas de manhã, assim que saiu para o trabalho, ligou-lhe para saber o que se passava. Ligou-me mais tarde a dizer que tinha que ir à cidade dele tratar de um assunto. Disse-lhe que sabia do que se tratava e adverti-o para se preparar para contar a verdade! Os tomates devem-lhe ter caído aos pés! Tentou dar-me um sermão - que o tinha traído, que não tinha o direito de fazer isso, blá, blá, blá...! Quem era ele para usar tal palavra: traição?
Fui egoísta? Talvez, mas não mais que ele. Devia ter ficado quieta? Não me imagino. Era eu que me sentia traída - depois de tantas mentiras, de consentir que ele se encontrasse com ela, de estar constantemente a ouvir que ela tinha que ser poupada de sofrimento porque era comigo que ele estava, de ser tantas vezes deixada à deriva, sozinha... Não tenho estofo para ser "a outra"!
Como habitual, cheguei a casa e voltei a sair para o curso. Quando voltei e abri a porta, fiquei hirta: as poucas coisas que ele tinha em casa, já as tinha levado! Nada que não tivesse à espera... mas, por mais que me preparasse, seria sempre um choque. Verifiquei as gavetas, que nem um autómato - nem uma meia esquecida! Até a nossa fotografia retirou do porta-retratos! Fui ao carro - tinha uma caixa de Sedoxil no porta-luvas - e voltei. Lembro-me que ainda apanhei roupa que tinha estendida na varanda. Vesti a camisa de dormir, tomei todos os comprimidos da caixa e fui deitar-me. Não queria acordar no dia seguinte.
Se fosse fim-de-semana não teria que ter ido trabalhar e ninguém daria pela minha falta... Mas era dia de semana.
No final da tarde, depois do trabalho, ele foi lá a casa, a pedido de uma colega que me tinha tentado ligar todo o dia. Claro que isto já me foi relatado. Levaram-me para o hospital, do qual fui reencaminhada para o psiquiátrico. Queriam-me internar, mas o meu irmão não deixou. Pediu para que o responsável por esta situação passasse essa noite comigo. Ele cedeu. Tenho uma vaga ideia de o ver deitar na cama, bem afastado de mim, sem dizer uma palavra. Depois, o meu irmão passou a dormir todas as noites no meu apartamento, durante 2 meses.
Passados poucos dias voltou para o ataque - não queria nenhuma ligação comigo que o pudesse comprometer! O apartamento estava alugado em meu nome e ele estava como fiador - queria deixar de o ser! Foi mais uma bofetada "em seco"! Disse-lhe que podia confiar, mas em vão, claro. Certamente essa prova ia contra as histórias que inventou para a "dita-cuja". De qualquer maneira, também era uma vingança... sei lá! Isso ficou-me atravessado até hoje! Depois daquela tortura toda, tinha que me picar mais um bocadinho... Mas nem assim, nem depois de toda essa frieza fui capaz de o afastar! Foi assim nos tempos que se seguiram: quando eu arranjava forças para desistir, ele corria atrás, quando ele se afastava, era eu que persistia. Ouvi vezes sem conta que continuava a tratar da separação. Ouvi muitas mentiras...
Os colegas de trabalho, amigos de ambos, que acompanhavam a nossa história de perto, diziam-me para desistir, que ele não merecia nada do que eu estava a passar. Tentei. Tentei interessar-me por outros rapazes (acto que ele até incentivou!), reencontrei-me com o meu primeiro amor... Mas eu era um vegetal - só vivia em função desse sentimento! Perdi parte da minha auto-estima com este amor.
Em 2006, já começou a ficar mais tempo comigo - 2 dias por semana! O Carnaval, a Páscoa e outros fins-de-semana prolongados passou-os comigo, viajámos para vários cantos do país. Mas continuava sem me assumir.
Somente depois das férias prolongadas de Agosto voltou a viver permanentemente comigo. Assumiu-me perante os pais e pouco mais. Continuava sem coragem para me assumir perante os amigos, até porque muitos ainda nem sabiam que ele se tinha separado!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Evidências...

"Não tomei banho nem fiz a barba mas preciso de te ver!" - foi esta a mensagem que recebi numa manhã de Domingo.
Fez quilómetros de bicicleta e queria que fosse ter com ele. Não aguentava pedalar mais!
Este acto era a confissão de que a vida dele estava alterada... Que partilhava dos mesmos sentimentos que eu. Peguei no carro e fui até onde se encontrava, mas não me sentia nada bem com o rumo que a história estava a tomar. Ele morava há 4 anos com a rapariga com quem namorava há 10! Ser "a outra" não é compatível com a minha maneira de ser! Mas não conseguia afastá-lo, dizer-lhe que não - isso ia contra o que estava a sentir...
Nesse dia, pusemos a bicicleta dentro do carro e fomos almoçar juntos. Ele sentiu que eu estava estranha e, de facto, era mesmo assim que me sentia.
Podia ter ficado contente com tal acto, que só podia ser de uma pessoa apaixonada, mas sentia-me desconfortável, porque ele não era um homem livre - poderia voltar a ser, mas não seria eu a pedir-lho!
Praticamente não falámos sobre nós, apesar das evidências...
Depois de almoço, levei-o até ao local onde o encontrara.

Mais tarde soube que não fez o caminho completo de retorno para casa de bicicleta...

Fevereiro, 2005

sexta-feira, 19 de março de 2010

Flamingos

O tempo de almoço da empresa, permitia-nos conviver, tanto com os colegas de trabalho mais próximos como com os de "estatuto mais elevado". Íamos até ao café, até à praia... Este ano foi excelente: em pleno mês de Fevereiro podíamos usar um bikini, com um sol radiante, sem aquele vento irritante que costuma fazer nos meses de Verão! Quando tinha prova no curso pós-laboral, aproveitava para estudar. Ia para o carro, abria as janelas e punha uma musiquinha...

Foi num desses dias, em que estava dentro do carro a estudar que ele surgiu: estacionou o carro ao lado do meu e pediu-me para ir com ele - queria mostrar-me uma coisa... Durante o almoço, ele tinha comentado que havia flamingos no rio. Eu, que passava todos os dias por lá, protestei - nunca tinha lá visto flamingos nenhuns!! Até porque os flamingos são aves exóticas...! Disse que não, dei a desculpa que tinha que ficar a estudar. Achava-o muito simpático, mas não tinha à-vontade suficiente para sair sozinha com ele de carro. Mas insistiu e acabei por ceder.

Levou-me até ao rio... e lá estavam os benditos flamingos!

No dia seguinte, a visita aos flamingos era o tema principal de conversa. Havia uma divergência de opinião na cor das penas dos flamingos: eu esperava ver flamingos de rosa intenso, como via na televisão e nos livros, mas pareciam brancos! E foi então que, em pleno discurso argumentativo, me enrolei toda e disse "pernas" em vez de penas! Dá para imaginar o filme? "Afinal não viste só flamingos de penas brancas, também viste outra espécie de flamingo, com pêlos...!"

Voltou a convidar-me para ir ver os flamingos, mas recusei ir sozinha com ele. Resolvido - foi buscar um colega nosso e voltou! Desta vez, levou a máquina fotográfica com ele. Tirou fotos aos flamingos, e não só...
Através desse mesmo colega também conseguiu o meu número de telemóvel. Depois da primeira mensagem, sucederam-se dezenas... Também trocámos e-mails, onde me enviou algumas das fotografias que tinha tirado aos flamingos... e a mim!

Certo é que um homem fiel não devia proporcionar intimidades destas. Algo estava errado. Dizia que se sentia como "queijo sem goiabada"... As conversas tornaram-se cada vez mais íntimas. Havia algo no ar. Tínhamos que parar! Não nos era permitido ir mais além... Mas por quem? Pela moral? Pois... é um motivo forte.

Fevereiro, 2005

O Primeiro e o Último

No início do ano de 2005 ainda morava com os meus pais e tinha um trabalho estável. Namorava há 3 anos e meio. Contudo, não me imaginava casada com uma pessoa como o João o resto da minha vida - era pouco culto e muito calado! Eu falava e discutia sozinha, apenas tinha um aceno afirmativo com a cabeça ou um encolher de ombros. Namorámos muito tempo dentro do carro e, isso só mudou porque cansei de esperar por uma mudança da parte dele - passámos a ir para minha casa. Demorou imenso a levar-me a conhecer a família dele. Começou a namorar comigo porque me achava "engraçada"...

Durante muito tempo deste namoro, ainda pensava no meu primeiro namorado (sério - o da 1ªvez). Apenas 4 anos depois de ele ter terminado a relação comigo e 10 depois de me ter apaixonado é que descobri que esse amor já estava arrumado, com o devido carinho. Fiquei feliz e orgulhosa por perceber que não havia mais mágoas, que tinha guardado apenas os bons momentos que tivemos juntos - momentos mágicos... Foi o meu primeiro amor, aos 13 anos, um amor de verão, encantado, que sobreviveu muitos verões. Tive muitas paixonites entretanto, mas aquele amor permanecia sempre, acima de todas as frustações, angústias e desgostos.
Quando nos reencontrámos seria para continuar, mas ele estava diferente... e eu também. Percebi que o David que eu pensava ainda amar existia apenas nos meus sonhos, nas minhas recordações. Aquele amor já não era real, era uma recordação... muito doce.

A relação que mantinha com o João estava estagnada. Já não sentia desejo por ele e a monotonia tinha-se instalado - era apenas uma companhia. Um dia, sem preparação alguma ou aviso prévio, numa das nossas comuns idas ao café, terminei. Assim mesmo:"Não dá mais!". Claro que foi um choque para ele e fez de tudo para continuar. Dizia "Vamos tentar outra vez!". Mas não há mais nada a fazer quando o amor acaba! Sofri por fazer sofrer. Ele, que nunca tinha declarado que me amava, mesmo quando pedira que o fizesse, agora dizia-o espontaneamente, com as lágrimas nos olhos. A única maneira que encontrei para minimizar o sofrimento de ambos foi o afastamento. A amizade não pôde permanecer porque ele não conseguia estar comigo sem tentar reatar o namoro.

Não contei a ninguém que tinha terminado com o João, à medida que as pessoas se iam apercebendo, ia confirmando. Sou transparente no que sinto - quando algo não está bem, fica espelhado no meu rosto.

Janeiro, 2005