"Não tomei banho nem fiz a barba mas preciso de te ver!" - foi esta a mensagem que recebi numa manhã de Domingo.
Fez quilómetros de bicicleta e queria que fosse ter com ele. Não aguentava pedalar mais!
Este acto era a confissão de que a vida dele estava alterada... Que partilhava dos mesmos sentimentos que eu. Peguei no carro e fui até onde se encontrava, mas não me sentia nada bem com o rumo que a história estava a tomar. Ele morava há 4 anos com a rapariga com quem namorava há 10! Ser "a outra" não é compatível com a minha maneira de ser! Mas não conseguia afastá-lo, dizer-lhe que não - isso ia contra o que estava a sentir...
Nesse dia, pusemos a bicicleta dentro do carro e fomos almoçar juntos. Ele sentiu que eu estava estranha e, de facto, era mesmo assim que me sentia.
Podia ter ficado contente com tal acto, que só podia ser de uma pessoa apaixonada, mas sentia-me desconfortável, porque ele não era um homem livre - poderia voltar a ser, mas não seria eu a pedir-lho!
Praticamente não falámos sobre nós, apesar das evidências...
Depois de almoço, levei-o até ao local onde o encontrara.
Mais tarde soube que não fez o caminho completo de retorno para casa de bicicleta...
Fevereiro, 2005
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