A maior parte da nossa população afirma-se católica não praticante. A vertente "católica" ainda se mantém porque em crianças grande parte de nós fomos obrigados a frequentar a catequese e a comparecer nas missas aos Domingos. De futuro, será mais comum, sem dúvida, o agnosticismo.
O conteúdo do conjunto "Religião e Moral" deveria ser revisto para uma vertente mais generalizada da religião, mais espiritual - seria algo como "História da Religião"- esta deixaria de ser facultativa.
A palavra "religião" foi usada durante séculos no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do cristianismo que se apropriou do termo latino religio. Em outras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra rita que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correcta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por dharma, termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a ideia de uma lei divina e eterna. Rita relaciona-se também com a primeira manifestação humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos períodos Paleolítico e Neolítico, e que se expressava por um vínculo com a Terra e com a Natureza, os ciclos e a fertilidade. Nesse sentido, a adoração à Deusa mãe, à Mãe Terra ou Mãe Cósmica estabeleceu-se como a primeira religião humana. Em torno desse sentimento formaram-se sociedades matriarcais centradas na figura feminina e suas manifestações. Ainda entre os hindus destaca-se a deusa Kali como símbolo desta Mãe cósmica. Cada uma das civilizações antigas representaria a Deusa, com denominações variadas: Têmis (Gregos), Nu Kua (China), Tiamat (Babilônia) e Abismo ,(Bíblia).
A mudança de uma ideia original da Deusa mãe, identificada com a Natureza, para um conceito de Deus deve-se aos hebreus e à organização patriarcal desta sociedade. Independente da origem, o termo é adoptado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Os religiosos gregos e romanos criam na existência de vários deuses; os judeus, maometanos e cristãos acreditam que há apenas uma divindade, um ser impassível de ser sentido pelos sensores humanos e que é capaz de provocar acontecimentos improváveis/impossíveis que podem favorecer ou prejudicar os homens.
Dentro do que se define como religião pode-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são muito diferentes entre si. Porém, é possível estabelecer uma característica em comum entre todas elas: todas as religiões possuiem um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades, deuses e demónios. As religiões costumam também possuir uma versão própria sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte, facto em que a maior parte das religiões crê.
Deste ponto, partiria-se para um estudo mais aprofundado de cada religião, da sua origem e das suas crenças, sem exclusões! A discriminação entre as crianças surge da sua ignorância. Um aluno de origem indiana, por exemplo, sentiria-se orgulhoso das suas diferenças cultural e religiosa (hinduísmo, jainismo, budismo ou sikhismo) ao poder partilhá-las com os seus colegas numa aula deste
género. Esses mesmos colegas iriam assimilar, entender e respeitar essa filosofia de vida, com crenças e tradições distintas. Quanto à moral, essa está intrinsecamente ligada à filosofia de cada religião. Tornariam-se adultos mais conscientes e tolerantes a essas diferenças. Poderiam incluir-se também actividades práticas, como a meditação ou ioga, que trariam benefícios ao nível da concentração das crianças. Seriam aulas muito mais interessantes, de um conteúdo mais rico, que trariam maior proveito na cultura das nossas crianças.
