quinta-feira, 22 de abril de 2010

Religião nas Escolas

Gostava imenso de ter aprendido na escola sobre as religiões do mundo. Recordo-me nitidamente de não querer aulas de "Educação Moral e Religiosa" pelo trauma de ter tido catequese!
A maior parte da nossa população afirma-se católica não praticante. A vertente "católica" ainda se mantém porque em crianças grande parte de nós fomos obrigados a frequentar a catequese e a comparecer nas missas aos Domingos. De futuro, será mais comum, sem dúvida, o agnosticismo.
O conteúdo do conjunto "Religião e Moral" deveria ser revisto para uma vertente mais generalizada da religião, mais espiritual - seria algo como "História da Religião"- esta deixaria de ser facultativa.

A palavra "religião" foi usada durante séculos no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do cristianismo que se apropriou do termo latino religio. Em outras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra rita que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correcta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por dharma, termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a ideia de uma lei divina e eterna. Rita relaciona-se também com a primeira manifestação humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos períodos Paleolítico e Neolítico, e que se expressava por um vínculo com a Terra e com a Natureza, os ciclos e a fertilidade. Nesse sentido, a adoração à Deusa mãe, à Mãe Terra ou Mãe Cósmica estabeleceu-se como a primeira religião humana. Em torno desse sentimento formaram-se sociedades matriarcais centradas na figura feminina e suas manifestações. Ainda entre os hindus destaca-se a deusa Kali como símbolo desta Mãe cósmica. Cada uma das civilizações antigas representaria a Deusa, com denominações variadas: Têmis (Gregos), Nu Kua (China), Tiamat (Babilônia) e Abismo ,(Bíblia).
A mudança de uma ideia original da Deusa mãe, identificada com a Natureza, para um conceito de Deus deve-se aos hebreus e à organização patriarcal desta sociedade. Independente da origem, o termo é adoptado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Os religiosos gregos e romanos criam na existência de vários deuses; os judeus, maometanos e cristãos acreditam que há apenas uma divindade, um ser impassível de ser sentido pelos sensores humanos e que é capaz de provocar acontecimentos improváveis/impossíveis que podem favorecer ou prejudicar os homens.
Dentro do que se define como religião pode-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são muito diferentes entre si. Porém, é possível estabelecer uma característica em comum entre todas elas: todas as religiões possuiem um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades, deuses e demónios. As religiões costumam também possuir uma versão própria sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte, facto em que a maior parte das religiões crê.

Deste ponto, partiria-se para um estudo mais aprofundado de cada religião, da sua origem e das suas crenças, sem exclusões! A discriminação entre as crianças surge da sua ignorância. Um aluno de origem indiana, por exemplo, sentiria-se orgulhoso das suas diferenças cultural e religiosa (hinduísmo, jainismo, budismo ou sikhismo) ao poder partilhá-las com os seus colegas numa aula deste género. Esses mesmos colegas iriam assimilar, entender e respeitar essa filosofia de vida, com crenças e tradições distintas. Quanto à moral, essa está intrinsecamente ligada à filosofia de cada religião. Tornariam-se adultos mais conscientes e tolerantes a essas diferenças. Poderiam incluir-se também actividades práticas, como a meditação ou ioga, que trariam benefícios ao nível da concentração das crianças. Seriam aulas muito mais interessantes, de um conteúdo mais rico, que trariam maior proveito na cultura das nossas crianças.

sábado, 17 de abril de 2010

Pai Ausente

As consequências de um pai ausente compromentem a vida da criança quando adulta, e refiro-me, em particular, ao caso em que a criança é uma menina. Gera-se um trauma.
Por pai ausente entenda-se que não se trata apenas da ausência física, mas da ausência de afecto, de carinho, de um pai que não corre para socorrer quando a filha se magoa, que não dá colo, que não dá um beijo de bom dia, nem um abraço de boa noite, que não valoriza as suas conquistas, nem dá uma palavra de consolo perante uma desilusão...
Os traumas adquiridos na infância são mais difíceis de serem solucionados, por permanecerem no plano subconsciente ou inconsciente. Na fase adulta, essa menina adaptará a sua conduta ou comportamento, acomodando-se com os traumas. Estes vão-se manifestar através da ansiedade, insegurança, stress, depressão, compulsividade, baixa auto-estima, fobias ou até mesmo à falta de vontade de viver, uma vez que se sentiu abandonada.
Em adulta, aquela menina que não foi acarinhada pelo pai, vai procurar substituir essa lacuna pela figura de outro homem. Torna-se totalmente dependente da presença e do amor de uma figura masculina - namorado ou marido - que, inconscientemente, está a substituir pelo vazio deixado pelo pai. Ela vai exigir desse homem todo o carinho que não teve do pai. Tornou-se uma mulher insegura - a eterna menina. Nunca estará satisfeita, porque homem nenhum vai conseguir preencher esse vazio.
Qualquer homem na sua vida lhe trará sofrimento. A vida afetiva fica comprometida porque a menina-mulher guarda um monte de entulhos (mágoas, feridas e decepções) oriundos do seu passado, pela figura do pai. Tudo está guardado, lá no subconsciente...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

2005

Em Janeiro terminei um namoro, em Fevereiro voltei a apaixonar-me, em Março envolvi-me com essa paixão, em Abril era "a outra", em Maio deixei de o ser, em Junho já estava a viver com ele, em Julho começaram as dúvidas, em Agosto viajámos, em Setembro fui deixada... em Outubro voltámos a falar-nos, em Novembro continuava a viver sozinha, em Dezembro assim permaneci - este é o resumo da minha vida no ano de 2005! Passei o Natal e a passagem de ano com a minha cadela, que fui buscar a casa dos meus pais. Ele? Viajou. Mas não comigo... E esta relação continuou instável durante mais meio ano: ora sozinha, ora acompanhada... por uns minutos ou umas horas, depois por um dia ou dois!
"Devorava" livros para passar o tempo, chorava, gritava, não entendia porque isso me estava a acontecer. O que quer que fosse que tinha que aceitar, não aceitei! Quando fui abandonada, tomei uma embalagem de calmantes. No hospital tentaram fazer lavagem ao estômago mas já tinha absorvido tudo! Diagnóstico: tentativa de suicídio!
Não foi! Sabia que aquilo não me iria matar! Também não queria chamar a atenção de ninguém! Simplesmente não queria viver nos dias que se seguiram... queria dormir e acordar quando aquele sentimento de frustração, vazio, angústia, desilusão... quando tudo tivesse passado! E assim foi.
Andei uns dias sem saber o que fazia. Esses dias ficaram em branco na minha memória - tal como pretendia... Mas tudo o que antecedeu esse momento ficou:
Passados três meses de ele ter abandonado a rapariga com quem vivia há 4 anos e namorava há 10 para ficar comigo, tomou a decisão que me ia deixar para ir viver para casa dos pais, porque precisava de estar sozinho para reaver o que era dele - era o que ele dizia - depois de muitas mensagens, de eventos em que compareciam como se ainda fossem um casal, de desculpas que ela arranjava para se reaproximar, etc. Eu continuava incógnita! Ninguém no mundo dele sabia da minha existência. O meu ego não consentiu isso!
Um dia, ao final da tarde, eu saí, como era habitual, para ir ao curso pós-laboral que frequentava na altura, só que segui mais 50Km, em direcção à casa da "dita-cuja", com o intuito de lhe contar da minha existência. Mas ela não estava em casa. Tentei ligar - ninguém atendeu. Deixei mensagem de voz - apresentei-me como sendo a causa da separação dela e que era comigo que ele estava desde que a tinha deixado. Voltei para casa. Agi como se nada tivesse feito. Sabia que no dia seguinte tudo se iria alterar. A bomba tinha sido deixada - ela iria encarregar-se de fazê-la explodir!
Nessa noite, ela tentou falar com ele. Ele não atendeu, mas de manhã, assim que saiu para o trabalho, ligou-lhe para saber o que se passava. Ligou-me mais tarde a dizer que tinha que ir à cidade dele tratar de um assunto. Disse-lhe que sabia do que se tratava e adverti-o para se preparar para contar a verdade! Os tomates devem-lhe ter caído aos pés! Tentou dar-me um sermão - que o tinha traído, que não tinha o direito de fazer isso, blá, blá, blá...! Quem era ele para usar tal palavra: traição?
Fui egoísta? Talvez, mas não mais que ele. Devia ter ficado quieta? Não me imagino. Era eu que me sentia traída - depois de tantas mentiras, de consentir que ele se encontrasse com ela, de estar constantemente a ouvir que ela tinha que ser poupada de sofrimento porque era comigo que ele estava, de ser tantas vezes deixada à deriva, sozinha... Não tenho estofo para ser "a outra"!
Como habitual, cheguei a casa e voltei a sair para o curso. Quando voltei e abri a porta, fiquei hirta: as poucas coisas que ele tinha em casa, já as tinha levado! Nada que não tivesse à espera... mas, por mais que me preparasse, seria sempre um choque. Verifiquei as gavetas, que nem um autómato - nem uma meia esquecida! Até a nossa fotografia retirou do porta-retratos! Fui ao carro - tinha uma caixa de Sedoxil no porta-luvas - e voltei. Lembro-me que ainda apanhei roupa que tinha estendida na varanda. Vesti a camisa de dormir, tomei todos os comprimidos da caixa e fui deitar-me. Não queria acordar no dia seguinte.
Se fosse fim-de-semana não teria que ter ido trabalhar e ninguém daria pela minha falta... Mas era dia de semana.
No final da tarde, depois do trabalho, ele foi lá a casa, a pedido de uma colega que me tinha tentado ligar todo o dia. Claro que isto já me foi relatado. Levaram-me para o hospital, do qual fui reencaminhada para o psiquiátrico. Queriam-me internar, mas o meu irmão não deixou. Pediu para que o responsável por esta situação passasse essa noite comigo. Ele cedeu. Tenho uma vaga ideia de o ver deitar na cama, bem afastado de mim, sem dizer uma palavra. Depois, o meu irmão passou a dormir todas as noites no meu apartamento, durante 2 meses.
Passados poucos dias voltou para o ataque - não queria nenhuma ligação comigo que o pudesse comprometer! O apartamento estava alugado em meu nome e ele estava como fiador - queria deixar de o ser! Foi mais uma bofetada "em seco"! Disse-lhe que podia confiar, mas em vão, claro. Certamente essa prova ia contra as histórias que inventou para a "dita-cuja". De qualquer maneira, também era uma vingança... sei lá! Isso ficou-me atravessado até hoje! Depois daquela tortura toda, tinha que me picar mais um bocadinho... Mas nem assim, nem depois de toda essa frieza fui capaz de o afastar! Foi assim nos tempos que se seguiram: quando eu arranjava forças para desistir, ele corria atrás, quando ele se afastava, era eu que persistia. Ouvi vezes sem conta que continuava a tratar da separação. Ouvi muitas mentiras...
Os colegas de trabalho, amigos de ambos, que acompanhavam a nossa história de perto, diziam-me para desistir, que ele não merecia nada do que eu estava a passar. Tentei. Tentei interessar-me por outros rapazes (acto que ele até incentivou!), reencontrei-me com o meu primeiro amor... Mas eu era um vegetal - só vivia em função desse sentimento! Perdi parte da minha auto-estima com este amor.
Em 2006, já começou a ficar mais tempo comigo - 2 dias por semana! O Carnaval, a Páscoa e outros fins-de-semana prolongados passou-os comigo, viajámos para vários cantos do país. Mas continuava sem me assumir.
Somente depois das férias prolongadas de Agosto voltou a viver permanentemente comigo. Assumiu-me perante os pais e pouco mais. Continuava sem coragem para me assumir perante os amigos, até porque muitos ainda nem sabiam que ele se tinha separado!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Evidências...

"Não tomei banho nem fiz a barba mas preciso de te ver!" - foi esta a mensagem que recebi numa manhã de Domingo.
Fez quilómetros de bicicleta e queria que fosse ter com ele. Não aguentava pedalar mais!
Este acto era a confissão de que a vida dele estava alterada... Que partilhava dos mesmos sentimentos que eu. Peguei no carro e fui até onde se encontrava, mas não me sentia nada bem com o rumo que a história estava a tomar. Ele morava há 4 anos com a rapariga com quem namorava há 10! Ser "a outra" não é compatível com a minha maneira de ser! Mas não conseguia afastá-lo, dizer-lhe que não - isso ia contra o que estava a sentir...
Nesse dia, pusemos a bicicleta dentro do carro e fomos almoçar juntos. Ele sentiu que eu estava estranha e, de facto, era mesmo assim que me sentia.
Podia ter ficado contente com tal acto, que só podia ser de uma pessoa apaixonada, mas sentia-me desconfortável, porque ele não era um homem livre - poderia voltar a ser, mas não seria eu a pedir-lho!
Praticamente não falámos sobre nós, apesar das evidências...
Depois de almoço, levei-o até ao local onde o encontrara.

Mais tarde soube que não fez o caminho completo de retorno para casa de bicicleta...

Fevereiro, 2005