segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A hora


Olhou o relógio - está na hora! É hora de te conhecer.
Vou arrancar-te dos meus sonhos e recortar-te do papel. Hoje só te vou escrever uma palavra.
Voltou a olhar as fotografias dela uma por uma e disse - é aqui!
Saiu para a estação, para apanhar o primeiro comboio. Já não interessava a hora.
Pelo caminho, a tranquilidade era a de um passeio sozinho. O plano elaborado pelo coração fora traçado pelo instinto do Amor - o que podia correr mal? Sentia-se a escrever mais uma história. Mas não a queria mais só no papel.
Em passo lento, continuou. Atravessou os jardins, a observar todas as flores, com uma vontade maluca de as levar todas. - Não! O melhor é trazer mais uma até elas. 
Por vezes, o coração acelerava, e então parava a olhar as águas até o acalmar.
E continuou, contra-corrente.
Os nossos corações batem ao mesmo ritmo - pensou. Não tenho razão para me preocupar... Pára de pensar, porra!
- É aqui! 
Tirou o telemóvel do bolso, enquadrou a mesma fotografia que ela tirara naquele mesmo local e escreveu: "Cheguei."
Sereno, sentou-se. - E agora? Acabou-se o meu plano. Vou ficar aqui até quando? E se ela só vir a fotografia à noite? Parvo!
As dúvidas voltaram, com a mesma
velocidade que se foram. Teve um sonho e foi vivê-lo e, só por isso, já se sentia feliz. Ali, envolto nas mesmas cores que a fotografia dela, quase a conseguia sentir. 
Passou uma hora e ele permaneceu imóvel. Pensava ir embora, mas o corpo não lhe obedecia. - O meu coração está aqui - teimava.
- Estou aqui... - disse ela, enquanto se sentava descontraidamente ao lado dele a olhar o rio.


Twinkle

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