quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mais intenso que o meu medo
Mais fOrte que a minha razão.
Inexplicável desejo
Que apareceu repentinamente
Como uma estrela no céu a brilhar

Que encanta os nossos olhos.
Inocência de um beijo,
Desejo de um sabor,
Um único momento desejado
Que enlouquece o coração.
O mundo se torna único,
Nada em volta está aos olhos
Apenas um desejo e nossas sombras.
Inocente desejo
Que causa uma turbulência nos sentidos
E uma coragem ao coração.
Arrepia o corpo todo
E transparece no olhar
O desejo daquele gesto.
Um único beijo,
Um desejo realizado...
Seria a calma para os sentidos
A tranquilidade para o coração.
Desejo que percorre os pensamentos
E ultrapassa a razão.
Mas nada é p e r d i d o
Porque não é mais que um inocente desejo.
[Antonio Macedo]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A suavidade das tuas asas isolam-nos

Iluminas-me com o teu olhar

Beijas-me melodicamente a alma

Abraças-me os cinco sentidos

Sinto-te

Twinkle




sexta-feira, 24 de setembro de 2010


Não te amo!
Amo os teus olhos...
Não te amo!
Amo os teus lábios...
Não te amo!
Amo as tuas palavras...
Não te amo...


Não me deixas olhar-te!
Não me permites beijar-te!
Não me levas a ouvir-te!
Não te amo!

O tempo passará... Tu não existes!

Sei porque vieste. Sei porque surgiste do nada...
Vais continuar sem mim e eu vou continuar assim.

Fizeste-me mudar. Fizeste-me aceitar o que escondia para não me magoar.
Era mais fácil antes de existires... naquele outro plano que tanto me leva à loucura, como me chama à razão.


Olho o horizonte e não gosto do que vejo.
Mais uma vez, choro em silêncio.
Ninguém sabe... Ninguém vai ficar a saber.

Twinkle

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Raiva e Amor

Um mestre perguntou aos seus discípulos:
- Porque gritamos quando sentimos raiva? Porque é que as pessoas gritam umas com as outras quando estão chateadas?


Os discípulos pensaram um pouco, e um deles disse:
- Porque perdemos a calma, gritamos por isso...
- Mas porquê gritar quando a outra pessoa está tão perto de si? Não é possível falar com ele ou ela com uma voz suave? Porque você grita com uma pessoa quando está zangado?
Os discípulos deram-lhe algumas respostas, mas nenhuma satisfez o mestre.

Finalmente, ele explicou:
- Quando duas pessoas estão com raiva uma da outra, os seus corações distanciam-se muito. Para cobrir essa distância, eles têm que gritar para que se possam ouvir mutuamente. Quanto mais irritados estiverem, mais alto terão que gritar para se comunicarem através dessa grande distância.

Entretanto, o mestre perguntou:
- O que acontece quando duas pessoas se apaixonam? Elas não gritam uma com a outra. Elas falam suavemente. Porquê? Porque os seus corações estão muito próximos. A distância entre eles é muito pequena ...
E, por fim, ele disse:
- Quando elas se amam ainda mais, o que acontece? Elas não falam, somente sussurram, e ficam ainda mais próximas uma da outra no seu amor. Por último, elas não precisam sequer sussurrar, apenas se olham. E isso é tudo! Isso, é o quão perto estão duas pessoas quando se amam.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ENTREGA-TE


Tu só podes aprender algo se esse algo estiver de acordo com a tua energia. Para poderes aprender algo com uma energia superior, terás de escolher abrir a tua energia para um nível superior. E assim acontece com tudo.
A própria aprendizagem. Como vocês dizem: «Todo o conhecimento é um autoconhecimento.» E eu digo – pura e simplesmente porque só poderás conhecer o que tens energia para absorver. O que não confere com a tua energia, passa-te ao lado. Não entra.
Tens de te abrir. Tens de abrir o teu coração e deixá-lo subir para vibrações mais altas. Culpa, julgamento e medo fecham o teu coração. Amor incondicional abre-o. Vem cá acima. Medita. Encontra-te com a luz. Rende-te à luz.
Admite a possibilidade de haver aqui em cima, no céu, uma luz imensa, protectora e amiga que te protege e ajuda, talvez não no que tu queres mas no que é bom para ti.
Admite essa possibilidade de seres protegido pela luz. Desde que te entregues. Entrega-te. E a tua energia subirá. E, a partir daí, irás compreender e aprender coisas de uma muito maior amplitude.
in Mensagens de Luz, A.S.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz

Quando crianças, não nos analisamos interiormente, porque estamos demasiado distraídos a absorver tudo o que nos rodeia.
Na escola, admirava a capacidade que as minhas colegas tinham de cativar todas as atenções. Tinham um grupo alargado de seguidores, de ambos os sexos, que as acompanhavam para todo o lado. Achava-as bonitas e simpáticas... Aí, eu pensava: "Gostava tanto de ser como elas...!"
O tempo passou. Cresci. Essa admiração desvaneceu-se à medida que me fui apercebendo que essas colegas que tanto admirava, eram vazias por dentro, tal como os ovos em que se faz um furinho para ficar apenas com a casca para ornamentar. Hoje, cruzo-me com elas, e não as vejo mais bonitas que eu!
Não sou muito sociável... Tenho um número reduzido de conhecidos e ainda mais restrito de amigos. As pessoas olham de lado para mim porque falo muito pouco ou nada. Algumas, quando finalmente me conhecem como amigas, acabam por confessar que tinham uma má impressão de mim.
Hoje, não mais criança, consigo olhar para trás e observar essas colegas tão "sociáveis" - elas não cresceram interiormente - são pessoas vazias! E, tal como acontecia com elas, hoje oiço pessoas que falam imenso para cativar atenções, mas aquilo do que falam não tem o mínimo de interesse, assuntos fúteis, que "entram por um ouvido e saem por outro"!
Hoje apenas admiro pessoas pela sua beleza interior, pessoas que partilham a sua simplicidade, que respeitam a unicidade... Afasto-me de pessoas egoístas ou egocentristas, oportunistas ou exebicionistas... Não me tenho que preocupar em procurar amigos - eles vão cruzando naturalmente o meu caminho - pessoas com quem falo espontaneamente, com quem partilho alegrias e tristezas... Por vezes, só por um dia! Porque o meu coração sabe diferenciar um amigo de uma "carroça vazia".



"Certa manhã, bem cedo, quando ainda era pequeno, o meu pai, velho sábio, convidou-me para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Acedi com grande alegria e lá fomos nós, humedecendo os nossos sapatos com o orvalho da relva.
Parou numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, perguntou-me:
- Estás a ouvir alguma coisa, para além do canto dos pássaros?
Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:
- Estou a ouvir o barulho de uma carroça que deve estar a descer pela estrada.
- Isso mesmo... - disse ele - É uma carroça vazia. Sabes porquê?
- Não...! - respondi intrigado.
Então, o meu pai pôs-me a mão no ombro, olhou bem no fundo dos meus olhos e disse:
- Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Não disse mais nada. Porém, deu-me muito que pensar.
Tornei-me adulto. E, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa, querendo demonstrar que é dono da verdade e da razão ou quando eu próprio, por distracção, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar a ouvir a voz do meu pai soando na clareira do bosque a dizer-me:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!"

sábado, 18 de setembro de 2010



Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.


Fernando Pessoa


Quem sonha mais:
Eu ou tu? Tu que vives inconsciente,
Ignorando este horror que é existir,
Ser, perante o [profundo] pensamento
Que o não resolve em compreensão, tu
Ou eu, que analisando e discorrendo
E penetrando [...] nas essências,
Cada vez sinto mais desordenado
Meu pensamento louco e sucumbido.
Cada vez sinto mais como se eu,
Sonhando menos, consciência alerta
Fosse apenas sonhando mais profundo.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Páro e penso: "Louca! Sofres com o mundo imaginário que crias... louca!"
Caramba, como é difícil ser assim...
Se me levanto para correr livre pelos campos, esbarro contra a primeira árvore, depois num tronco velho, escorrego no musgo, tropeço em todas as pedras... Livre, mas machucada... Ai! Quero e não quero!
Invento mais uma história de papéis invertidos. Não dá - há mais um - assumi a responsabilidade sobre uma nova personagem! Não consigo encaixá-la nesta nova história...
"Louca!"
O Paulo Coelho acaba de me dizer: "Explica ao teu coração que o medo de sofrer é pior que o próprio sofrimento. E que nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca dos seus sonhos."
Pronto... Acabou-se o monólogo! Eu respondo: "O medo de sofrer é um sofrimento lento, mas não pior... O coração de quem parte em busca dos sonhos não sofre pelo objectivo, mas pelos corações que deixa em sofrimento com a partida."
Por isso, aqui estou eu, sentada, impávida e não serena...
"Louca!"
Twinkle
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante,
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
Cada passo conduzia a um êxtase,
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.
Eça de Queirós

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ciúme

Osho afirma que não é amor o sentimento que se nutre pela mesma pessoa por quem se sente ciúmes, que se está meramente a encobrir o envolvimento sexual com o que poderia ser amor. "Quando se ama uma pessoa, o próprio amor é garantia e segurança suficiente" e que quando "se está apegado a uma mulher ou a um homem sexualmente, fica-se sempre com medo de que essa pessoa possa ir embora com outra".

Ia contestar o aspecto pouco abrangente dos exemplos, mas quando terminei a leitura, desisti. Senti-me derrotada. 

"O ciúme tenta obrigar você a fazer todo o esforço para que a confiança seja mantida. Mas a confiança não é algo para ser mantido. Ela existe ou não existe. E eu digo que nada pode ser feito a esse respeito. Se existe, você pode ir adiante; se não existe, é melhor separar-se da outra pessoa. Não lute, pois estará perdendo o seu tempo, a sua vida. Se você ama alguém, e há um encontro profundo dos dois seres, isso é bom e belo. Mas se esse encontro não está acontecendo, separem- se. E não crie nenhum conflito ou luta por causa disso, pois nada será conseguido através de luta, e seu tempo será perdido, e sua capacidade de amar prejudicada. Você poderá repetir tudo de novo com outra pessoa. Se não há confiança, separem-se. E quanto mais cedo, melhor. Para que você não se destrua, não se prejudique. E sua capacidade de amar permaneça viva e fresca, e você possa amar outra pessoa."

Porque me considero ciumenta (e não interessam as justificações que possa arranjar por assim ser) qualquer crítica a tal angustiante sentimento, fere-me. Já li que isso é um sentimento desencadeado pelas normas sociais do ocidente, que as esposas dos polígamos muçulmanos não sentem ciúmes entre si (na verdade, presente ou não, isso não pode sequer ser discutido). Por sua vez, Osho afirma que o ciúme é comum entre o homem e a mulher na Índia, em que os casamentos são "arranjados"... As explicações e as teorias são sempre interessantes, mas quando o assunto nos toca preferimos ignorar qualquer explicação lógica, uma vez que não é pela razão que se explica qualquer sentimento.

Twinkle

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Se com sede beberes água de um copo, verás Deus nele. Aqueles que não possuem amor por Deus, verão apenas seus próprios rostos."

"Todos os dias eu penso sobre isto, então, à noite, digo-o. De onde é que eu venho, e que devo eu fazer? Não faço a mínima ideia! A minha alma é de outro lugar - disso tenho a certeza - e é aí que eu pretendo terminar."

"A tua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente procurar e encontrar todas as barreiras dentro de ti próprio, que construiste contra ele."

"O silêncio é um oceano. A fala é um rio. O silêncio é a linguagem de Deus. Tudo o resto é uma medíocre tradução."

"Para além dos preconceitos do correcto e do incorrecto, existe um campo. Eu vou-te encontrar lá. "

"A brisa da madrugada tem segredos para te contar - não voltes a dormir! Deves pedir o que realmente queres, e não voltar a dormir! As pessoas vão e voltam através da soleira da porta onde os dois mundos se tocam. A porta é redonda e está aberta. Não voltes a dormir! "

"Quando estou contigo, ficamos acordados toda a noite. Quando não estás aqui, não consigo ir dormir.
- Louva a Deus por estas duas insónias... E a diferença entre elas. "

"Deixa a beleza do que amas ser aquilo que fazes."

Jalāl ad-Din Muhammad Balkh, ou Rumi (30 de setembro de 1207 - 17 de Dezembro 1273), foi um poeta muçulmano persa do século XIII, jurista, teólogo e místico sufi.

sábado, 11 de setembro de 2010

Sonhos e Palavras

... É assim cada vez que leio, vejo ou oiço algo que me agrada e me afaga a alma. Quando leio um livro ou vejo um filme, identifico-me com uma das personagens. Se gosto de uma música, imagino-a feita e cantada exclusivamente para mim ou por mim... No mundo dos sonhos não há limites, não existe o "socialmente correcto" - sou feliz, todos os meus desejos e vontades são realizados! Sou livre! Sou fada, sou sereia, sou rainha, sou artista... Canto, danço, abraço, amo, sou amada, beijo, sou beijada... Toda a gente o faz, consciente ou inconscientemente! Mas não por inveja, somente porque sonhar acordado é bom, faz-nos felizes!
Pensava como seria bom que alguém sentisse e descrevesse algo assim por mim, para mim. Ser o corpo e a alma de cada palavra, que fica escrita e não mais é apagada... Mas poder igualmente ter a liberdade de complementar o sentido do que recebo.

Twinkle

Inspiração de Sonho


Estagnei a olhar o céu para além dos telhados ainda aquecidos pelo sol que não tivera sentido todo o dia. Eram cores lindas, quentes e intensas - uma tela divina! Tentei absorvê-las, guardá-las no meu peito. Pensei em ti...

Não consigo decifrar onde se esconde a realidade do que sinto. Num sonho tudo é perfeito, não existem defeitos. Amamos quem não mais amamos. Somos amados. Damos corpo e alma ao Amor. Dei-lhe o teu corpo... perfeito, mas a tua alma era a minha... partilhada.

Esse sonho ilude-me a realidade.

Como qualquer sonho bom, quando acordamos procuramos voltar para ele, procuramos o que ele tinha de real...

Escrevi-o. Não o queria esquecer. Descobre-se algo quando se procura... Procuravas-me?

Ali, onde o ponto nos une e a vírgula nos separa...


Twinkle

...Por vezes temos que arriscar, senão caímos na armadilha de perder coisas na vida, com o simples medo de as perder

Rir é arriscar a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar envolver-se.
Expôr os seus sentimentos é arriscar a descoberta do seu verdadeiro Eu.
Tornar as suas ideias e sonhos públicos é arriscar perdê-los.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se à decepção.
Tentar é arriscar falhar.

Mas é preciso correr riscos,
Porque o maior infortúnio da vida é não arriscar nada.
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Elas podem evitar o sofrimento e a tristeza,
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar e viver.
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas,
Abriram mão da sua liberdade.

Só a pessoa que arrisca é livre.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

... Por vezes sentimo-nos perdidos

" Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem.
Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem.
As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada poderás cobrir-te de flores e de frutos.
E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar.
Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração.
Quando ele te falar, levanta-te, e vai onde ele te levar."
de Susanna Tamaro

Vai onde te leva o coração - um dos vários livros que demorei a ler... Li-o quando as palavras ganharam sentido.
Hoje surjiu este trecho para ser relido.

... Por vezes perdemos a paciência

"Num antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre:
- Mestre, como devo fazer para não me aborrecer com os outros? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, algumas são indiferentes, sinto ódio das que são mentirosas, sofro com as que caluniam.

- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.

- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.

- Repare nas flores - continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo o que lhes é útil e saudável... mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.

É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.

Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora.

Isso é viver como as flores."

Construir ou Plantar


"Um texto anónimo da Tradição diz que cada pessoa, durante a sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar.

Os construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer.

Então param, e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba.

Mas existem os que plantam. Estes, às vezes, sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim nunca pára de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura.

Os jardineiros reconhecer-se-ão entre si – porque sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a Terra."


de Paulo Coelho

Um dia um Anjo apaixonou-se por uma Flor. Ele não podia... mas não suportou viver em dois mundos paralelos e fujiu do Paraíso para ficar junto dela, na Terra.
Mas as inúmeras pedras que a cobardia fez parecerem altas montanhas, levaram-no a querer voltar para o Paraíso, abandonando a Flor numa terra árida. Sem sol, nem água, a Flor murchou.
Ele voltava, de vez em quando para regá-la, mas não era suficiente... Ela sentia falta da sua luz.
Mais tarde, quando ele voltou para permanecer junto da sua Flor, as suas cores já não eram as mesmas. As cores vivas deram lugar a cores ténues. A Flor tinha perdido a sua vivacidade...



Certo dia, surgiu uma sementinha. Uma sementinha da Flor, fruto do seu amor então magoado.
O Anjo recusou a sementinha. Só queria a Flor... A Flor não aceitou abandonar a sementinha e o Anjo resignou-se a tratar dela igualmente. Mas ele não reparou no quanto a Flor tinha ficado machucada. O Anjo continua a olhar a Flor como se ela continuasse a ter aquelas cores intensas de outrora, pelas quais se tinha apaixonado. Ela secou e ele não vê.
A sementinha cresceu e hoje é um lindo broto, de cores alegres que irradiam a luz que ilumina e faz rejuvenescer a Flor. O Anjo esqueceu que um dia tinha recusado a sementinha, cuidou dela e hoje a ama tanto quanto a Flor - é o seu Broto Angelical. A Flor secou e ele não vê.
Twinkle

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Há palavras que nos surgem num determinado momento como que somente escritas para serem lidas por nós. Muitas vezes compro livros, mas não os consigo ler. Leio uma, duas páginas, não me despertam interesse algum e coloco-os de lado. Mais tarde volto a tentar. Cada palavra está ali para ser lida no momento exato - só para mim!
Adoro Paulo Coelho! Para além das histórias que me envolvem e me transportam como que em transe, tem sempre uma lição de moral para juntar à minha biblioteca espiritual. Um dos livros que demorei a terminar de ler foi o Zahir . Li-o então numa fase em que tal palavra fazia todo o sentido. ZAHIR é uma palavra árabe que significa algo ou alguém, que uma vez tocado ou visto, domina completamente a nossa mente, e vai ocupando o nosso pensamento até nos levar á loucura.
Já li o livro Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei... Agora releio trechos. Estavam ali para serem lidos agora, só para mim. Têm um sentido especial, um enquadramento só meu, que mais ninguém entende. Que me tocam na ferida e me magoam demais...
"Uma pessoa não ama a fim de fazer o bem ou para ajudar ou proteger alguém. Se agirmos dessa forma, estamos a encarar o outro como um objecto simples, e nos vemos como pessoas sábias e generosas. Isto não tem nada a ver com amor. Amar é estar em comunhão com os outros e descobrir neles a centelha de Deus. Você tem que assumir riscos. Nós só entendemos verdadeiramente o direito ao milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça. Todos os dias Deus nos dá o sol - e também um momento no qual temos a capacidade de mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos o momento, que não existe - que hoje é igual a ontem e será o mesmo amanhã. Mas se as pessoas realmente prestarem atenção nas suas vidas do dia-a-dia, irão descobrir esse momento mágico! Pode chegar no instante em que estamos a fazer algo mundano, como a colocação da chave na fechadura da porta de casa, pode estar escondida no silêncio que se segue à hora de almoço, nas mil e uma coisas que parecem ser o mesmo para nós. Mas esse momento existe - um momento em que todo o poder das estrelas torna-se uma parte de nós e nos permite fazer milagres!A felicidade às vezes é uma benção, mas geralmente é uma conquista. O nosso momento mágico ajuda-nos a mudar e faz-nos ir em busca dos nossos sonhos. Sim, nós vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões - mas tudo isso é transitório não deixa marcas permanentes. E um dia vamos olhar para trás com orgulho e fé no caminho que tomámos. Eu poderia ter... - o que quer dizer esta frase?
Num determinado momento das nossas vidas, há certas coisas que poderiam ter acontecido mas não aconteceram. Os momentos mágicos passam despercebidas, e então, de repente, a mão do destino muda tudo!
Mas o amor é muito mais parecido com uma barragem: se você permitir que uma pequena fenda se forme, através da qual apenas uma gota de água possa passar, essa fenda rapidamente irá derrubar toda a estrutura e, em breve, ninguém será capaz de controlar a força da corrente .
O amor é uma armadilha. Quando ele aparece, só vemos a sua luz, e não as suas sombras. Eu vou lutar pelo teu amor. Há certas coisas na vida pelas quais vale a pena lutar até ao fim. Tu vales a pena."
(citações de Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei, Paulo Coelho)