Protestei imensas vezes com os meus pais terem-me posto tal nome! O meu pai conta que era o nome de uma colega de trabalho, a minha mãe diz que gostava de o ouvir pelos corredores da maternidade, pois era o nome de uma enfermeira...
Para a minha avó, analfabeta, o nome era demasiado complicado. Adoptou outro que foi para mim o meu nome de infância! Ninguém me chamava pelo nome que os meus pais tinham escolhido para mim...
Hoje, são raras as pessoas que ainda me conhecem por esse nome, a que a minha avó chamava a tudo o quanto era pequenino: Ninita. Lembro-me que tinha um canário que também era Ninito! Hoje, já nem a minha avó me chama Ninita...
De vez em quando, na aldeia, ainda oiço "olha, a Ninita está cá...!" As lágrimas deixam-me os olhos brilhantes - naquele momento volto a ser criança! Um dia, sei que vou ter de esperar um pouco mais para rever essas pessoas... A aldeia continuará a pouco mais de uma hora de onde vivo, mas essas pessoas... só as encontrarei no meu coração.
A Ninita foi-se perdendo quando me mudei para a cidade. Até então, a casa da avó, a cidade, a praia, eram apenas destino de férias. Depois, as coisas inverteram-se: passei a viver na cidade e a passar férias na aldeia. O meu mundo mudou.
Só os vizinhos da minha avó me conheceram como Ninita. Também se mudaram. A minha melhor amiga com eles. Ela ainda me chama Ninita...
Encontrei um significado do meu nome - o verdadeiro - que é o meu espelho interior! Poderia ter outro nome? Sim! Mas não seria EU...
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